domingo, 15 de janeiro de 2017

Educação alimentar é responsabilidade familiar

O doce que não é tão doce...

Oferecer açúcar para crianças menores de 2 anos dificulta o aprendizado de novos sabores e a aceitação de uma maior variedade de alimentos. No tempo certo (a partir dos 2 anos, preferencialmente, e com moderação) ela vai comer e vai gostar, provavelmente, mas aí ela já estará gostando de muitos outros alimentos, especialmente aqueles que desejamos que elas gostem (frutas, verduras, legumes).


O leite materno é levemente adocicado e isso faz com que o bebê tenha uma boa receptividade ao doce, portanto, o doce ele já conhece e gosta, ele precisa conhecer o azedo, o amargo, o salgado, o ácido para aprender a se alimentar de forma variada. Uma alimentação variada e equilibrada é necessária para o crescimento e desenvolvimento saudável.

Vale lembrar que o consumo do açúcar além de mascarar o sabor dos alimentos e ser uma caloria vazia, prejudica a absorção de alimentos saudáveis, podendo causar anemia, pode causar cáries e predispor o bebê a obesidade, diabetes, hipertensão, câncer. Há estudos associando o consumo do açúcar também à irritabilidade, dispersão e dificuldade de concentração, inquietude e ansiedade. 

É importante destacar que a criança já consome açúcar natural e suficiente presente nas frutas, cereais, carboidratos e que nós, os pais, precisamos rever nossos hábitos alimentares e não introduzir as crianças em hábitos alimentares inadequados. Como eu sempre digo, a maternidade/paternidade é uma grande oportunidade para mudanças e transformações. 

Sabemos que não é recomendado oferecer açúcar para crianças menores de 2 anos, entretanto, percebo que os pais que optam por esta escolha, e me incluo nesta lista de pais, passam por grandes desafios ao longo da fase de introdução alimentar de seus filhos.

Antes de ser mãe eu não tinha informações adequadas sobre educação alimentar infantil e foi a partir da fase de introdução alimentar que eu fui buscar orientações e então descobri um mundo que eu desconhecia, o mundo da alimentação infantil saudável: sem açúcar, sem sal, sem aditivos, conservantes, industrializados, com alimentos naturais e orgânicos, quando possível. Passei a preparar as refeições em casa e a ser mais seletiva fora de casa. Aprendi muito sobre alimentação infantil saudável e os efeitos dessa escolha a curto, médio e longo prazo. Aprendi que comida saudável também é saborosa e que pode haver praticidade no preparo. Ampliei meu repertório de receitas e ao preparar as refeições para o meu filho, fui me reeducando, gradativamente. Confesso que estou nesse processo ainda, e que é um desafio, pois os efeitos de maus hábitos alimentares são persistentes, e exigem grande disciplina. Mas estou disposta a ter essa disciplina e dedicação para seguir como exemplo ao meu filho que agora já completou seus dois anos, e, consequentemente, a pressão da sociedade aumenta, e a gente precisa estar preparada, e nada melhor do que ser congruente entre o que se deseja e se faz para resistir às tentativas de desautorização aos pais e mães que querem educar seus filhos em bons hábitos alimentares, para além dos primeiros anos.

Nós gostamos de doce e achamos que ao oferecer doce para crianças estamos oferecendo algo bom quando, na verdade, o açúcar não é tão "doce" assim.  Associar açúcar a afeto é bastante perigoso, inclusive para a relação da criança com a alimentação no futuro. Penso que uma boa maneira das pessoas demonstrarem afeto pelas crianças começa por respeitar as escolhas que seus pais fazem por elas, enquanto elas estão sob sua responsabilidade.

É importante destacar que a necessidade de comer doces é do adulto, não do bebê! Ele vai aprender o que nós apresentarmos para ele e como educação alimentar também é educação, educar o paladar de nossos filhos é nossa responsabilidade!

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Elisa Lempek
www.elisalempek.com.br






A minha história com a amamentação


Mesmo antes de ser mãe eu tinha o desejo de amamentar, mas, até me tornar mãe eu não imaginava que fosse necessário um preparo emocional para a amamentação! Na verdade, confesso que eu não havia me preparado para nada realmente profundo no puerpério, pois meu olhar estava todo voltado para fora na gestação (enxoval, quarto do bebê...) e meu mundo interno quase teve um colapso depois que o bebê chegou. Mas voltando ao tema da amamentação... Eu acreditava que era só colocar o bebê no peito e tudo deveria transcorrer naturalmente, e seria lindo, como nos comerciais.