quarta-feira, 29 de março de 2017

Rede de apoio X Terceirização dos filhos: compreenda a diferença

O cuidado que a criança recebe principalmente nos primeiros anos de vida tem importante relevância para um bom desenvolvimento físico e emocional. Os primeiros anos de vida de uma criança são muito importantes para estabelecer fortes laços entre pais e filhos e para promover a sua própria individualidade no futuro, com autonomia, confiança e segurança, servindo de modelo para as relações que a criança vai desenvolver ao longo da sua vida e a forma como ela vai se posicionar no mundo.


Atualmente, observamos um padrão de comportamento negativo entre crianças e adolescentes, decorrentes, entre outros fatores, da ausência (física e/ou emocional) dos pais nas rotinas, quanto da terceirização dos filhos. Mas, o que é terceirização dos filhos?
terceirização dos filhos ocorre quando os pais transferem seus papéis de educadores, alimentadores, cuidadores e as demais responsabilidades, escolhas e decisões para outras pessoas. Diz respeito também a ausência de disponibilidade de tempo e afeto dedicado aos filhos, a transferência de valores e colocação de limites na educação da criança para outras pessoas.

No texto anterior, falei sobre os ajustes que se tornam necessários a partir da chegada dos filhos (ver aqui http://elisalempek.blogspot.com.br/2017/03/tornando-se-pais.html). Sabemos que criar filhos não é tarefa fácil e que para estar disponível e investir nessa relação, o casal precisa reorganizar os horários e rotina, além de redefinir suas prioridades, sem perder de vista os seus valores, para que de fato a relação familiar seja positiva para todos. Nesse sentido, muitas vezes pode ser necessário contar com uma ajuda extra, uma rede de apoio.

Contar com uma rede de apoio significa contar com alguém para atender a criança por algum período sem, entretanto, transferir as responsabilidades dos pais para a rede de apoio. Saber até que ponto uma ajuda externa é benéfica e em que momento ela começa a atrapalhar ou substituir o papel dos pais é o primeiro passo para criar uma relação positiva com os filhos, e com a própria rede de apoio. 

Escolher bem com quem deixar as crianças quando precisar contar com uma rede de apoio é fundamental para que a criança esteja em um ambiente harmonioso e todos possam se beneficiar.

Para a escolha da rede de apoio deve haver:
  • Confiança: os pais precisam sentir que seus filhos estarão seguros;
  • Boa comunicação: os pais precisam dialogar com a rede de apoio e sentir reciprocidade no diálogo e consideração;
  • Coerência: a rede de apoio deve ser coerente aos valores dos pais; 
  • Respeito: a rede de apoio precisa respeitar as orientações/recomendações dos pais; e os pais também devem sentir respeito pela rede de apoio; entre outros requisitos que cada família pode determinar.
A rede de apoio pode ser eventual ou fixa, por um período curto ou mais prolongado e entre as opções podemos citar os avós, babá, grupo de mães, escola, entre outros. Para cada uma das opções a família vai encontrar prós e contras e cada escolha deve considerar o que é mais adequado para a criança e a família, dentro do seu contexto. Pode haver conflitos entre os pais e a rede de apoio, e estes precisam ser manejados visando sempre o bom senso e bem-estar de todos. 

Contar com uma rede de apoio não é sinônimo de terceirização! Os pais podem aproveitar bem o tempo quando estão juntos com seus filhos para criar vínculos fortes, demonstrar amor, preocupação, cuidado, atenção, interesse; acompanhar o crescimento e desenvolvimento; educar; colocar limites de forma adequada; transmitir seus valores...

Investir em momentos de presença física e emocional com os filhos ajuda a desenvolver...
  • Confiança;
  • Segurança;
  • Auto-estima;
  • Senso de competência aumentado na criança;
  • Identificação forte com os pais;
  • Redução de ansiedade quando os pais não estão presentes;
  • Desenvolvimento cognitivo, afetivo e social adequados; entre outros.
Por outro lado, entre os efeitos da terceirização, é possível observar:
  • Prejuízos no desenvolvimento social, afetivo e cognitivo;
  • Baixa autoestima;
  • Ansiedade de separação e sentimento de abandono;
  • Ausência de valores familiares definidos;
  • Agressividade;
  • Falta de limites e dificuldades com figuras de autoridade;
  • Transtornos de comportamento;
  • Depressão;
  • Dificuldade no convívio social e de relacionamento; entre outros.
É importante destacar que não basta amar a criança, é preciso fazer com que ela se sinta amada!

Entre algumas dicas para fortalecer os laços com os filhos e retomar para si as responsabilidades, segue algumas sugestões:
  • Se precisar deixar o filho numa escola ou com babá, pesquise antes, visite as opções, avalie, converse com os professores/cuidadores e escolha alguém que tenha valores semelhantes aos seus;
  • Reserve um período do dia para acompanhar os estudos do seu filho, saber como foi na escola; conversar com a professora sobre os avanços e as dificuldades; participar das atividades escolares;
  • Acompanhe sempre que possível o seu filho em médicos, dentistas e outras necessidades de saúde e bem-estar, como aulas de natação, balé, futebol, música...
  • Convidar o filho (a) para participar do preparo das refeições (assim ele (a) também vai conhecer melhor os alimentos) ou de alguma atividade da casa que ele (a) possa ter interesse em participar; façam as refeições juntos, sempre que possível;
  • Estabeleça momentos no teu dia dedicados exclusivamente para dar atenção ao teu filho (a);
  • Aproveitar os finais de semana para sair da rotina, conhecer novos lugares, fazer atividades ao ar livre; explorar a criatividade;
  • Desenvolva, junto com o seu filho, uma rotina para a noite, antes de ir dormir, com sentimento de gratidão e cumplicidade.
Enfim, são apenas algumas sugestões para reflexão a respeito de alternativas que possam fazer sentido dentro da sua realidade familiar e que possam contribuir para fortalecer os laços familiares que devem repercutir ao longo da vida da criança. 

Para se tornar um adulto independente, com autonomia, confiança e seguro de si, primeiro a criança deve sentir e saber que há um pertencimento. Antes de criar novos vínculos e estabelecer novas relações, a criança precisa pertencer a algum lugar; ela precisa saber que há um lugar.

Espero que tenha gostado do texto.

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Elisa Lempek

www.elisalempek.com.br