domingo, 11 de junho de 2017

Ciúmes entre irmãos: como estimular a cooperação

Esse tema foi sugestão de uma mamãe que participa do grupo Pais e Filhos, no Facebook (grupo administrado por mim). Quando resolvi escrever sobre ele, logo passei a lembrar da minha relação com os meus irmãos, assim como a pensar sobre que tipo de relação eu gostaria de estimular entre meus filhos, quando tiver mais de um.

Tenho percebido que esse tema é uma preocupação bastante comum quando a família resolve ter outro bebê. Além disso, muitas mães que estão à espera do segundo filho preocupam-se tanto sobre como será o relacionamento entre os irmãos quanto sobre como será dividir a atenção entre eles.

Primeiramente, é importante destacar que cada gestação e maternidade são únicas. Ter esse entendimento favorece que você não crie expectativas irreais e possa viver um tipo de maternidade com cada filho de acordo com a singularidade dele, pois cada criança também é única e reconhecer essa diferença já é o primeiro passo para favorecer a cooperação entre os irmãos, ao invés da competição.

A cooperação entre os irmãos pode ser um resultado tão provável quanto a competição, e isso vai depender muito mais da maneira pela qual os pais se relacionam com os filhos do que necessariamente da relação entre as crianças.

Mas, como fazer, então, para promover essa cooperação?



Pensando sobre isso, selecionei algumas dicas para você refletir:

1-      Não comparar um filho com o outro. Ao se relacionar com cada um de acordo com a sua forma de funcionar, suas características, necessidades e possibilidades, você  contribui para que a criança se sinta especial e amada pelo que ela é. Ela não precisa competir com o irmão para ser melhor, ter mais atenção, mais reconhecimento, etc.
2-      Garantir o amor, estando presente (física e emocionalmente). Os pais são fundamentais nesse processo de garantir que há amor suficiente, que cada filho tem um lugar especial e que são olhados como únicos. No início, a criança ainda associa o amor a atenção, mas se ela tiver a garantia desse amor, ela fica tranquila, segura. O desafio é você fazer com que os seus filhos compreendam que a atenção é dividida, mas o amor não.
3-      Garantir momentos especiais com cada um dos filhos e com todos juntos. Quando um dos pais estiver mais presentes com um filho, o outro (pai ou mãe) pode estar com o outro filho. No caso do recém-nascido, que demanda mais da mãe, por exemplo, o pai pode estar mais presente e participativo com o filho mais velho enquanto a mãe atende as necessidades do mais novo. E, em outros momentos, pode haver uma troca, até porque é importante cada filho ter um momento especial com cada um dos pais, para se sentir importante naquela relação, e, além disso, toda a família compartilhar outros momentos juntos, como a hora da refeição ou um passeio no domingo, por exemplo.
4-      Convidar o mais velho a participar dos cuidados do irmão mais novo, quando ele demonstrar interesse. Isso pode aproximar os dois e favorecer o vínculo. Lembrando sempre de tratar cada um de acordo com o seu jeitinho, e não comparando um ao outro, mas promovendo a cooperação.
5-      Mostrar que as regras e os valores familiares são iguais para todos, dentro do entendimento de cada idade, é claro. Gerar diferença de conduta e tolerância para um e outro pode estimular a competição e não a colaboração. 

E quando o ciúmes aparecer?



E quando o ciúmes aparecer, pode ser um sinal de insegurança em relação ao amor dos pais. Nesse caso, é comum observar alguns desses sinais na criança: olhar perdido, de vazio; agressividade contra os pais; agressividade contra o irmão; agressividade na escola; algum comportamento regressivo como no jeito de falar, voltar a fazer xixi nas calças ou não querer dormir sozinho; entre outros.

Diante desses sinais de insegurança é importante que os pais deem uma atenção a mais para a qualidade e quantidade de cuidado, atenção, presença de qualidade, pois, ao receber a confirmação do amor, a criança volta a se sentir segura. Para saber mais sobre tempo de qualidade com os filhos acesse http://elisalempek.blogspot.com.br/2017/05/8-dicas-para-ter-mais-tempo-de.html.

Confira o depoimento de uma mãe de dois sobre sua experiência com esse tema e que também é psicóloga e estará compartilhando um texto seu aqui no Blog na próxima semana:


Ao pensarmos sobre ciúmes entre irmãos, primeiro precisamos examinar um sentimento que nasce no peito dos pais logo que descobrem uma nova gestação, A CULPA. Pra mim foi inevitável, acredito que esse tenha sido um dos primeiros sentimentos que experimentei... só pensava na minha primogênita ! É angustiante e gerador de uma intensa preocupação.

Aos poucos, com muita conversa entre o casal é possível aliviar e criar boas estratégias como a Elisa mencionou no texto, mas é preciso encarar de frente, ser honesto, pois a culpa dos pais é fator gerador de insegurança nas crianças, que percebem muito bem toda essa nova dança familiar !

Ciúmes é um sentimento natural produzido pela insegurança que gera medo e temor de perda.

O mundo imaginário das crianças é muito rico, é difícil pra eles separarem o real da fantasia, neste caso o sentimento de ciúmes torna-se assustador pois remete a uma ameaça ao amor materno, que é o bem mais precioso do mundo infantil nesta etapa. Podemos entender, desta forma, a importância do diálogo  e da manutenção mais cuidadosa do vínculo neste período.

Reconhecer e lidar com esses medos e inseguranças é uma ação interna de saúde, nunca devem ser considerados banais, sem importância ou com aquele pensamento... com o tempo vai passar... Se desconsiderado poderá trazer desconfiança, ansiedade, raiva, vergonha e até sentimentos de vingança.

Com o amor multiplicado na chegada do novo integrante da família oriento o diálogo franco e aberto sobre sentimentos e emoções, sempre reforçando a auto-estima e a valorização da auto imagem da criança, para evitar que o ciúme torne-se limitador e perturbador em demasia, mas nada é mais poderoso do que acolher de forma amorosa todo o mundo interno do seu pequeno, valorizando o emocional de forma empática. O agora, "irmão mais velho", poderá passar ao caçula experiências de confiança, companheirismo e amor fraternal...

E nós mães e pais de 2, 3, 4... vamos revivendo nossas relações fraternais, sob uma nova perspectiva  e confirmando a cada dia que o amor só aumenta, soma e multiplica!
(Andréa Mesquita, mãe de dois. Psicóloga CRP 07/08633)

Como percebemos através do relato da Andréa, se a criança estiver segura do amor dos pais, ela vai aprender a dividir a atenção com os irmãos. Além disso, vai entender que existe amor suficiente para todos e que irmãos e irmãs oferecem a possibilidade de um outro tipo de ligação familiar amorosa que vai enriquecer ainda mais a sua capacidade de se relacionar e formar vínculos. 

Um bom relacionamento entre irmãos fornece as bases de uma conexão para o resto da vida ao compartilhar detalhes íntimos e significativos da história da família como nenhum outro tipo de relação pode promover.

Quando decidi escrever sobre esse tema, logo pensei em destacar os aspectos positivos que podem favorecer a cooperação entre os irmãos e não o que é contrário a esse objetivo. Dessa forma, espero ter contribuído de forma positiva a agregar algo novo nas suas reflexões e que possam servir de estímulo a uma boa convivência familiar.

Se você gostou do texto, compartilha entre seus amigos.

Acompanhe outras postagens, curtindo e seguindo a minha página do Facebook https://www.facebook.com/elisa.psicologiaecoaching/

Elisa Lempek
www.elisalempek.com.br