quinta-feira, 29 de junho de 2017

Dicas para manter o relacionamento do casal depois da chegada dos filhos

Durante a minha gestação, estava no primeiro ano de pós-graduação em psicoterapia individual, familiar e de casal. Lembro de muitas aulas em que falávamos sobre os ciclos de desenvolvimento familiar e entre eles, especialmente o do casal com filhos pequenos. Entretanto, apenas quando essa fase chegou na minha vida que de fato pude melhor compreender toda a teoria a partir da experiência vivenciada (na prática).
A chegada de um filho provoca transformações físicas, psicológicas e sociais na vida do casal, exigindo uma base segura de apoio, respeito, compreensão, diálogo, além de predisposição para mudanças.
O casal deve ajustar-se para acolher o novo membro e criar espaço para o novo papel de pais. Além disso, necessita unir-se nas tarefas de educação dos filhos, nas questões financeiras, nos afazeres domésticos e, em especial, na própria preservação da relação conjugal. Esses desafios são superáveis em constantes negociações. O nascimento de um filho, portanto, marca uma nova etapa na vida do casal, exigindo uma mudança de perspectiva, reorganização familiar e um aumento da responsabilidade.
Nos primeiros meses de vida do bebê, o casal deve voltar sua atenção quase que exclusivamente para os cuidados da criança e esse processo é essencial para a formação do vínculo e a construção dos papéis de pai e mãe. Nesse período, entretanto, pode ocorrer uma diminuição na satisfação conjugal em função da redução do tempo disponível para o investimento na relação a dois ou um crescimento da parceria e do companheirismo, fortalecendo o relacionamento. Tudo dependerá da capacidade do casal para enfrentar e superar essas mudanças. 

Muitas pesquisas indicam que essa transição pode ser melhor compreendida e elaborada se, antes mesmo da chegada dos filhos, os parceiros estiverem satisfeitos com seu relacionamento. O ajustamento conjugal, as formas de comunicação e as estratégias de resolução de conflitos utilizadas pelo casal influenciam tanto a própria relação, quanto o relacionamento de cada um com a criança. 

Uma vida conjugal insatisfatória pode causar prejuízos diretos e indiretos tanto para os cônjuges quando para os filhos. Ou seja, os cônjuges precisam nutrir seu casamento para garantir a harmonia familiar. Há risco de desgaste em uma relação quando pai e mãe negligenciam a importância de cotidianamente viverem como casal.



Como os casais podem enfrentar esse período de desafios e mudanças? 

Pequenos gestos no dia-a-dia podem contribuir para preservar e cultivar a relação: a divisão equilibrada de tarefas e responsabilidades, demonstrações de afeto e gentileza, carinho e cumplicidade, e intenção e vontade de fazer o bem ao outro. Trata-se de aproveitar as pequenas oportunidades da nova rotina para reinventar a relação a dois, numa relação a três. 

Sem esperar tempo demais, o casal deve, gradativamente, ir criando maiores oportunidades para investir na relação a dois, respeitando o ritmo que a nova rotina familiar exige.

Muitos casais relatam um tempo de espera vinculado ao desenvolvimento da criança para reinvestir no relacionamento: quando a criança estiver maior, ou quando começar a falar, ou quando entrar na escola. Eu faço um alerta sobre isso. A criança não pode ser uma desculpa para que a mãe ou o pai deixem de investir em outros papéis, inclusive na retomada da relação conjugal. Se isso acontecer, talvez seja o momento de um diálogo franco e sincero do casal sobre como está relacionamento e, em alguns casos, a busca por ajuda profissional.

Por outro lado, quando o casal decide que é o momento de criar o “tempo do casal”, uma dica simples e bastante efetiva é a programação de atividades a dois:


1-Façam uma lista de atividades que vocês gostariam de fazer juntos


2-Selecionem as atividades que devem entrar no cronograma de “tempo para o casal”


3-Definam um dia e horário para a realização das atividades escolhidas


4-Criem um cronograma de atividades


5-Coloquem o planejamento em ação!

      O cronograma pode ser semanal, quinzenal ou até mensal. Não precisa ser nada grandioso. O importante é que esse programa esteja adequado a rotina do casal, para que possa ser realizado e que seja algo que faça sentido.

Vou usar a minha experiência como exemplo. No primeiro ano após a chegada do nosso filho, nós criamos a programação semanal de assistir seriado juntos duas vezes por semana. Depois resolvemos fazer um encontro mensal e, atualmente, estamos numa nova rotina, onde temos 4 horas livres num dia da semana que usamos para o “tempo do casal”. Usamos esse tempo para almoçar juntos, olhar um filme, ir no cinema, ou até mesmo dormir. O objetivo é que seja um momento do casal, sem interferências e para que ambos possam se enxergar para além de pai e mãe.

Outra dica importante é manter a flexibilidade, mas sem perder a intenção. O que quero dizer com isso? A programação pode até mudar na última hora  por algum motivo, mas não se deve perder a intenção de aproveitar aquele momento programado para esse investimento na relação a dois. Vocês podem mudar o programa, mas não esqueçam do objetivo!

Espero que tenha gostado do texto e apreciado as dicas.

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Elisa Lempek
www.elisalempek.com.br